{"id":476,"date":"2021-07-05T00:35:43","date_gmt":"2021-07-05T00:35:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sintaes.com.br\/home\/a-comissao-organizadora-do-3o-congresso-latino-americano-e-6o-congresso-brasileiro-de-bioetica-e-direito-animal-divulga-o-presente-edital-de-chamada-de-submissao-de-artigos-a-serem-selecionados-para\/"},"modified":"2021-07-05T00:35:43","modified_gmt":"2021-07-05T00:35:43","slug":"a-comissao-organizadora-do-3o-congresso-latino-americano-e-6o-congresso-brasileiro-de-bioetica-e-direito-animal-divulga-o-presente-edital-de-chamada-de-submissao-de-artigos-a-serem-selecionados-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sintaes.com.br\/home\/?p=476","title":{"rendered":"A Comiss\u00e3o Organizadora do 3\u00ba Congresso Latino-Americano e 6\u00ba Congresso  Brasileiro de Bio\u00e9tica e Direito Animal divulga o presente edital de chamada de  submiss\u00e3o de artigos a serem selecionados para apresenta\u00e7\u00e3o durante o congresso e que  ser\u00e3o posteriormente publicados nos Anais do evento ou na Revista Latino-Americana de  Direitos da Natureza e dos Animais."},"content":{"rendered":"<p>Ementa:<\/p>\n<p>O universo cultural \u00e9 t\u00e3o vasto que molda a nossa concep\u00e7\u00e3o e nossas a\u00e7\u00f5es perante as outras esp\u00e9cies desde a mais tenra inf\u00e2ncia, seja atrav\u00e9s das rotineiras m\u00fasicas cantadas, da decora\u00e7\u00e3o de um quarto infantil, e at\u00e9 mesmo pelas nossas prefer\u00eancias por determinadas esp\u00e9cies de animais em detrimento de outras.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Marshall Sahlins j\u00e1 apontou que a cultura pode ser fator preponderante nas decis\u00f5es. Estud\u00e1-la \u00e9 necess\u00e1rio para compreender as rela\u00e7\u00f5es que humanos estabelecem com outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>No entanto, pens\u00e1-la nos coloca diante de quest\u00f5es conflituantes. Por um lado h\u00e1 a necessidade de respeitar suas peculiaridades, especialmente quando estas se referem a povos cujas pr\u00e1ticas e representa\u00e7\u00f5es est\u00e3o historicamente enraizadas e por vezes constru\u00eddas a partir de ontologias diferentes das da ci\u00eancia e a filosofia ocidental. Por outro, o argumento culturalista por vezes \u00e9 utilizado para perpetuar pr\u00e1ticas e representa\u00e7\u00f5es antigas e\/ou \u00e9ticamente question\u00e1veis como, por exemplo, o maltrato aos outros animais. Este embate permeia, por exemplo, as discuss\u00f5es em torno do uso de animais em contextos religiosos, em pr\u00e1ticas populares como a farra do boi, a ca\u00e7a, e outras pr\u00e1ticas de rela\u00e7\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>Portanto, cultura e tradi\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am em nossas pr\u00e1ticas sociais moldando nossas escolhas, prefer\u00eancias e decis\u00f5es, sendo fundamentais para moldar uma mentalidade especista.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que as pr\u00e1ticas tradicionais s\u00e3o sempre especistas? No Brasil ainda se faz uso da palavra \u201ctradicional\u201d para se referir \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e grande diversidade de modos de vida como ribeirinhos, agroextrativistas, etc. Esses povos e comunidades tradicionais t\u00eam modalidades de uso do territ\u00f3rio e de rela\u00e7\u00e3o com a natureza que, em geral, s\u00e3o muito resilientes, distintas das sociedades industriais capitalistas.\u00a0 Poder\u00e3o tais modalidades de rela\u00e7\u00e3o com a natureza ser n\u00e3o predat\u00f3rias, n\u00e3o explorat\u00f3rias e n\u00e3o coisificadoras? Em tais contextos os animais t\u00eam um lugar peculiar? Qual? Distinguem o tratamento de animais silvestres e domesticados do mesmo modo em que o distingue a sociedade urbano-industrial?<\/p>\n<p>Considerando essas quest\u00f5es, entre tantas outras, propomos o GT \\&#8221;Animais, Sociedade, Cultura e Tradi\u00e7\u00f5es\\&#8221; com uma abordagem interdisciplinar, dialogando com a antropologia, a sociologia e demais \u00e1reas das Ci\u00eancias Sociais sobre a quest\u00e3o animal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sugerimos as seguintes linhas de trabalho:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; animais na socializa\u00e7\u00e3o infantil;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; animais na tradi\u00e7\u00e3o e cultura alimentar;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; rela\u00e7\u00e3o humano &#8211; animal em povos tradicionais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; contratos domesticat\u00f3rios em diversos contextos culturais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; problematiza\u00e7\u00e3o de argumentos culturalistas para justificar a explora\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; perspectivas sobre Direitos da Natureza e Justi\u00e7a Ecol\u00f3gica em determinados contextos culturais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; animais na cultura e tradi\u00e7\u00e3o religiosa;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; intersec\u00e7\u00f5es entre antiespecismo,\u00a0 racismo e\/ou quest\u00f5es de g\u00eanero<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; impactos da cultura midi\u00e1tica nos animais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; impactos da cultura escolar na rela\u00e7\u00e3o com os animais<\/p>\n<p>Os artigos dever\u00e3o ser enviados para o correio eletr\u00f4nico:<\/p>\n<p>congresso.direitoanimal@gmail.com<\/p>\n<p>Edital-02-2021-Chamada-de-Artigos-Atualizado.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ementa: O universo cultural \u00e9 t\u00e3o vasto que molda a nossa concep\u00e7\u00e3o e nossas a\u00e7\u00f5es perante as outras esp\u00e9cies desde a mais tenra inf\u00e2ncia, seja atrav\u00e9s das rotineiras m\u00fasicas cantadas, da decora\u00e7\u00e3o de um quarto infantil, e at\u00e9 mesmo pelas nossas prefer\u00eancias por determinadas esp\u00e9cies de animais em detrimento de outras. 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Este embate permeia, por exemplo, as discuss\u00f5es em torno do uso de animais em contextos religiosos, em pr\u00e1ticas populares como a farra do boi, a ca\u00e7a, e outras pr\u00e1ticas de rela\u00e7\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o animal. Portanto, cultura e tradi\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am em nossas pr\u00e1ticas sociais moldando nossas escolhas, prefer\u00eancias e decis\u00f5es, sendo fundamentais para moldar uma mentalidade especista. Mas ser\u00e1 que as pr\u00e1ticas tradicionais s\u00e3o sempre especistas? No Brasil ainda se faz uso da palavra \u201ctradicional\u201d para se referir \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e grande diversidade de modos de vida como ribeirinhos, agroextrativistas, etc. Esses povos e comunidades tradicionais t\u00eam modalidades de uso do territ\u00f3rio e de rela\u00e7\u00e3o com a natureza que, em geral, s\u00e3o muito resilientes, distintas das sociedades industriais capitalistas.\u00a0 Poder\u00e3o tais modalidades de rela\u00e7\u00e3o com a natureza ser n\u00e3o predat\u00f3rias, n\u00e3o explorat\u00f3rias e n\u00e3o coisificadoras? Em tais contextos os animais t\u00eam um lugar peculiar? Qual? Distinguem o tratamento de animais silvestres e domesticados do mesmo modo em que o distingue a sociedade urbano-industrial? 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